22 de Junho de 2008

Rosa Chá: Que delícia!

Rosa CháA passarela era de fórmica com areia da praia no centro. A boca de cena (de onde saem os modelos) era de espelhos e um modelo lindo veio do final da passarela para tomar uma ducha. Como se já não bastasse, ele tira a sunga para o banho. Comoção generalizada, gritos e aplausos ensurdecedores. Foi assim que começou o primeiro desfile masculino da marca de beachwear, Rosa Chá.

Camisas cortadas rente ao corpo, camisetinha de malha silkada, short muito curto e justo, bermuda de surfista e cargo, mala de mão de viagem e, claro, muita sunga. Listradas, lisas, estampadas, com bolsinhos, com ilhoses, sungas de todas as maneiras, mas sempre pequenas. Parecia que os meninos usavam um tamanho menor do que o correto. Todos com um pedacinho do “derriere” a mostra.

Para causar mais impacto, quatro tops de primeira dividiram o desfile com os rapazes. Primeiro Isabeli Fontana, depois Carol Ribeiro, mais Michelle Alves e por último, Raica. O show estava pronto.

Para a entrada final Amir Slama, estilista da marca, foi escoltado pelas quatro beldades, enquanto os meninos formaram nas escadas da passarela, uma linda cena final.

Por Sandra Bittencourt, editora de moda da revista Marie Claire


21 de Junho de 2008

Ronaldo Fraga: Maestria mineira

Ronaldo Fraga 

Ronaldo Fraga sempre impressiona. Mesmo sendo um dos desfiles mais esperados da temporada, o estilista mineiro ainda assim consegue deixar a platéia boquiaberta com sua capacidade de traduzir uma inspiração - e uma história - em moda. Ronaldo pesquisa a fundo cada tema apresentado e, por isso, faz coleções tão cheias de significado. Ele, inclusive, admite gostar de estabelecer uma relação profunda com suas inspirações, pois assim tem uma “desculpa para pesquisar várias coisas até achar uma inspiração válida”. Desta vez, não por acaso, o tema foi o rio São Francisco (Ronaldo é contra a transposição).
 
O desfile contou a história do rio, que no começo era limpo e fonte de comida e renda para diversas cidades à sua beira, até a invasão de navios e do comércio, que o usavam como rota de transporte, e que deixaram o rio sujo e inabitável, como ele é hoje.
 
Os primeiros vestidos, então, retratam paisagens vivas, coloridas e “saudáveis” em bordados riquíssimos. Os vestidos têm formas amplas, em A, e mangas que lembram nadadeiras de peixes (mais curtas na frente e mais compridas atrás). O meio do desfile foi composto de estampas de caixas e listras que remetem a tábuas de madeira (e simbolizam a fase de degradação do rio), e variações de escamas de peixe (no jeans ou em seda), indicando a morte da fauna do rio.
 
No fim, o jeans escuro e os peixes enfileirados remetem ao rio já poluído e sem vida. As paisagens dos vestidos aparecem “rasgadas” e com cores de terra seca. As formas, mais amplas, deram espaço para shorts e bermudas saruel (objetos instantâneos de desejo), casacos desconstruídos e blusas amarradas por nós que criavam silhuetas bem femininas, ao estilo de Ronaldo.
 
Na trilha, ouvimos Tetê Espíndola e uma trupe de cantores que faziam diversos sons com a boca e cantaram, entre outras canções, uma versão instrumental de “Marinheiro Só”. Lindo.


20 de Junho de 2008

Bem vindo ao mundo de Animale

Animale 

O perfume da Animale pairava (literalmente) no ar, a fragrância da grife se fez presente durante todo o desfile. A marca mostrou uma mulher forte e sexy como as guerreiras do cangaço. O contraponto perfeito entre a feminilidade e a agressividade.

Raquel Zimmerman abriu o desfile, com um colete vermelho com a pala de cartucheira e uma calça xadrez, mais linda e elegante do que nunca. Aliás, o casting foi um espetáculo extra, além da Raquel desfilaram Jeisa Chiminazo e Isabel Goulart, todas ultra-mega-tops.

A inspiração cangaceira foi vista em todo os detalhes do desfile, como o acabamento em forma de cartucheira e bala de revólver, no cinto-pochete de couro rústico ou todo coberto de cristais Swarovski e nos bolsos utilitários dos uniformes militares. O mix de padronagens xadrezes e listradas, mais o acabamento de balas de metal, formaram um look muito interessante. Vermelho, ferrugem, marrom, bege e verde foram as cores eleitas para essa coleção. Os tecidos foram da seda e do georgette, passando pelo jeans e couro.

A silhueta era sexy, confortável e assimétrica, com blusas soltas decotadas, calças e vestidos mais ajustados ao corpo. As peças de couro com estampa de madeira marchetada nos vestidos, coletes e minissaias, atiçaram a curiosidade dos convidados.

Enfim, um desfile fiel a sua inspiração, e que promete agradar as clientes fiéis da marca.

Por Sandra Bittencourt, editora de moda da revista Marie Claire


12 de Junho de 2008

Sandpiper: Beach Club

SandpiperO desfile da grife Sandpiper aconteceu no cenário de um clube à beira-mar do final dos anos 60, e esse clima leve e descontraído deu o tom de toda a coleção. A cartela de cores usou e abusou de tons pastel, como lilás, roxo, verde-água e amarelo, pontuados por brancos e beges. As estampas geométricas, os laços e plissados, o tecido piquet e a silhueta em A evidenciaram o ar retrô.

A proposta foi a mesma para meninos e meninas, mistura de padronagens como listras e xadrezes. Muita camisetinha pólo com short de alfaiataria tanto para eles quanto para elas. Mais uma vez, Paulo Zulu arrancou suspiros e gritos das convidadas quando entrou com camisa e shorts bem justinhos.

Napoleão Fonyat, estilista da marca, mostrou uma coleção de roupas comerciais, mas com uma bossa bem charmosa. Moda para usar direto da passarela para as ruas.

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Por Sandra Bittencourt, editora de moda da revista Marie Claire


11 de Junho de 2008

Graça Otonni: Perfume dos anos 70

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“Eu posso, tudo é permitido”: este é o lema da mulher que veste Graça Ottoni. E ela realmente pode tudo. Pode misturar listra com pois, listras verticais sobrepostas com horizontais e assim formar um xadrez de transparências e estilo safári com estampa maxifloral.

Vestidos e saias fluidas e esvoaçantes - e essa é uma das características de que mais gosto -, a abundância de tecidos… Tudo é longo, rodado, farto.

A proposta é olhar os anos 70 com a visão de hoje, e ela cumpre o que propõe. A fila final é espetáculo à parte, uma seqüência de vestidos longos, elegantes e multicoloridos que nos inspiram e criam desejo.

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Por Sandra Bittencourt, editora de moda da revista Marie Claire


11 de Junho de 2008

Coven: Da exuberância à elegância

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coven01.jpgComemorando os seus 15 anos em grande estilo, a Coven deu continuação aos looks megacoloridos e festeiros da estação passada com uma moda madura e refinada. Inspirada na tradição milenar oriental, os vestidos, calças pescador e saruel vieram em cores lavadas com alguns pontos iluminados pelo verde irish, amarelo sun e laranja. As estampas, característica marcante da grife, apareceram nas flores, listras e motivos orientais, muitas vezes misturadas na mesma peça. Os destaques vão para os vestidos de festa, sempre curtos e cheios de volumes, sobreposições falsas, babados e bordados. O tricô, outra tradição da Coven, dessa vez foi acompanhado por seda, tricoline e malha. Um desfile impecável que mostrou a evolução da marca de forma delicada e cool.

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Denise Dahdah, editora de moda da revista QUEM


11 de Junho de 2008

Giulia Borges e Koolture: Novos Criadores

Giulia Borges

A capixaba Giulia Borges, que na temporada passada estreou com boas críticas, trouxe para o verão 2009 uma coleção muito romântica inspirada nos traços delicados da ilustradora botânica Margaret Mee.

Pregas, listras horizontais, laços de fita e babados duplos, de organza, cetim de seda e algodão, deixaram a coleção bastante doce. Shorts e calças clochard, cintos de laço, jardineiras, vestidos curtos e plumas, que surgiam ora entre camadas de babados, ora no lugar das mangas, como boleros, adocicaram ainda mais o verão proposto pela estilista.

As principais cores foram o verde-água, rosa-claro, coral e lilás.

No styling, sapatos boneca com salto de madeira usados sobre meias de babado e flores de fitas coloridas na cabeça das modelos.

Apesar da presença das pregas e da feminilidade, características da marca, sobrou açúcar e boa intenção, mas faltou o gosto da atitude com informação de moda - que Giulia levou para a passarela na temporada passada.

KooltureJá a marca Koolture, da estilista Daniela Conolly, que estreou hoje no Fashion Rio, mostrou uma coleção inspirada no filme “Gangues de Nova Iorque”, de Martin Scorsese. Muito tie-dye, paetês e coletes marcaram o desfile, que pretendia fazer referência às disputas entre gangues de nativos americanos e irlandeses, nacionalidades das quais descende a estilista.

Com um styling confuso, que usou pequenos ursos de pelúcia, óculos coloridos e cartolas, os looks acabaram ficando distantes da proposta. As sandálias rasteiras também subtraíram um pouco da força do desfile, deixando o peso concentrado nos ursinhos que enfeitavam os cabelos armados das modelos. Mais atraentes estavam as camisetas estilo rock’n’roll vintage com bordados, tingimentos e aplicações.

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Maria Sanz
Foto: Divulgação


10 de Junho de 2008

Apoena: Cores, por favor!

Apoena

Todos esperavam ansiosos para ver como seria a coleção de verão da Apoena. No inverno, a marca brasiliense agradou bastante com suas peças coloridas e bordados poderosos, que resultaram em looks originais, despretensiosos e altamente desejáveis. O desfile começou com uma seqüência nada empolgante de vestidos brancos, ora acompanhados de blazers estruturados, ora sobrepostos por camisas transparentes, tudo da mesma cor. A tristeza já dava sinais quando o primeiro look colorido apareceu para afastá-la definitivamente: patchworks, bordados, listras e xadrezes vichy encheram os olhos e confirmaram o que a gente já sabia: o melhor da Apoena está aí. Vestidos amplos, curtos e longos, pantalonas e sobreposições (que às vezes deram cara invernal aos looks) de peças em tons de vermelho-tomate, verde e azul, todas feitas com tecidos ecológicos, encerraram o desfile e deixaram um sorriso nos nossos lábios.

Por Denise Dahdah, editora de moda da revista QUEM
Foto: AP


10 de Junho de 2008

Homem de Barro e Filhas de Gaia

Filhas de GaiaDois novos talentos abriram a tarde de desfiles neste Fashion Rio. Homem de Barro, do casal Marcio Duque e Aline Rabelo, e Filhas de Gaia, da dupla Marcela Calmon e Renata Salles.

A marca Homem de Barro, que estreou no Fashion Rio na temporada passada, reforçou seu DNA criativo revisitando técnicas artesanais e desenvolvendo divertidas estampas. A coleção, inspirada no filme “Os Goonies” e intitulada “Ilha do Tesouro Perdido”, levou para a passarela a idéia de uma caça ao tesouro com roupas de modelagens amplas e cores vivas. As estampas exclusivas, de pássaros, aranhas e folhagens, foram art

esanalmente beneficiadas em parceria com mais de 200 famílias de bordadeiras. As sandálias de camurça com salto vírgula, usadas sobre meias estampadas, deram peso e sofisticaram os looks. Ponto para a dupla, que parece estar na trilha certa para a mina do sucesso.

Homem de Barro

A estreante Filhas de Gaia, criada pelas amigas de infância Marcela Calmon e Renata Salles, desfilou a coleção “O Padrão Depois do Caos”. Inspiradas pela imagem de uma flor que nasce do concreto, as estilistas criaram vestidos ora ajustados, ora com babados volumosos, na tentativa de reproduzir a imagem desta flor, imperfeita, mas harmoniosa. O desfile, que foi aberto pela top Letícia Birkheuer, trouxe looks em estampas gráficas e florais, listras, preto-e-ranco, azul-royal, lilás e rosa seco, sempre pontuados por cintos e sandálias metálicas. Segundo a estilista Marcela Calmon, o objetivo da marca é fazer uma moda de contrastes entre o “clássico e a atitude rock-n’-roll”. Apesar da boa intenção e harmonia da coleção, é preciso dizer que faltou uma dose a mais de ousadia para espantar o leve perfume déjà vu deixado no ar pelas composições das estampas e sandálias à Balenciaga.

Por Maria Sanz


09 de Junho de 2008

TNG: Mar Adentro

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TNGComo marca voltada para o grande publico, a TNG manteve a tradição de levar top models e celebridades à passarela. Nesta tempoarada, desfilaram o ator Reinaldo Gianechinni e as modelos Raica Oliveira e Mariana Weickert. Pela segunda vez consecutiva a marca contou com a consultoria da editora de moda Regina Guerreiro. Junto a ela, o estilista Tito Bessa revisitou o estilo navy sob duas óticas: as listras dos anos vinte e a silhueta dos anos 50.

TNGCalças de cintura alta, listras, suspensórios finos, apelidados de espagueti e shorts estampados com as famosas interjeições de Regina Guerreiro: “Aaai” e “uuui” deram tom lúdico aos looks.

O índigo teve lugar de destaque no desfile da TNG. Segundo o estilista Tito Bessa, a idéia era reforçar o papel do jeans na marca: passando por diferentes tratamentos como o de resina para um efeito plastificado, o tecido foi apresentado desde sua forma clássica, passando pelo degradê ate o rasgado.

O desfile acabou com uma inesperada guerra de travesseiros entre os modelos, gerando uma nuvem de plumas brancas que cobriram todos os fashionistas causando uma onda de risos e espirros.

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Por Maria Sanz


09 de Junho de 2008

Drosófila: Misturar é a palavra de ordem

DrosófilaA intenção da estilista Dayse Soares era criar roupas para uma mulher comum. Sinto muito Dayse, a mulher da Drosófila não tem nada de comum. Ela é elegante, atrevida, moderna e, principalmente, segura de si. Só uma mulher assim seria capaz de misturar listras e xadrezes da maneira que vimos na passarela. Listra com listra, listra com xadrez ou xadrez com xadrez, as combinações propostas pela marca ganhavam poder com a combinação genial de cores: amarelo com ferrugem e mostarda, roxo com vermelho, verde com vinho.

O universo masculino, que guiou a coleção, apareceu nos coletes, que vieram sempre bordados com pedrarias ricas - mas nem por isso pretensiosas. Os vestidos eram curtíssimos ou muito longos. As calças e bermudas, saruel, usadas com paletós ajustados. Para arrematar uma coleção impecável, o stylist Daniel Ueda deu toques de mestre com lenços amarrados na cabeça e cintos pesados cheios de tachas.

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Por Denise Dahdah, editora de moda da revista QUEM


08 de Junho de 2008

Sta. Ephigênia

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Joaninhas, babados, laços, tecidos naturais, chapelões e óculos escuros saem do meio de um labirinto feito de folhas: Pic-nic Garden é o nome da coleção da Sta. Ephigênia. O verão da marca é a continuação perfeita para o inverno que foi apresentado no começo do ano. Os bordados pesados se tornaram sofisticados, com pérolas decorando o tecido toile de jour. O preto-e-branco virou arco-íris de cores, em looks que iam de vestidos monocromáticos em pink, verde e amarelo a estampas listradas, até chegar aos tons esmaecidos (uma ótima analogia ao transcorrer de um dia passado sob o sol). Os tecidos encorpados deram lugar aos leves. O styling que adicionou maxióculos e chapelões de aba de inspiração 1970s e a maquiagem leve e colorida de Ricardo dos Anjos só vieram enaltecer o que já estava belo. Um desfile-deleite: sofisticado, romântico, despretensioso e muitíssimo bem amarrado.

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Por Denise Dahdah, editora de moda da revista QUEM