Vídeo: Balanço final
Gloria Kalil, Lilian Pacce, Maria Prata, Sandra Bittencourt, Denise Dahdah e outras editoras de moda e beleza dizem o que mais gostaram da SPFW primavera/verão 2008/2009 e o que vai pegar nas próximas estações
Gloria Kalil, Lilian Pacce, Maria Prata, Sandra Bittencourt, Denise Dahdah e outras editoras de moda e beleza dizem o que mais gostaram da SPFW primavera/verão 2008/2009 e o que vai pegar nas próximas estações

Todos estavam ansiosos pelo início do último desfile da SPFW, ninguém mais parava quieto em suas cadeiras, se perguntando o por que de tanto atraso. Quando o desfile começou, todo mundo entendeu. Lino mostrou uma coleção rica em formas, em detalhes, em trabalho com o tecido, em cuidado com a beleza.
A idéia da coleção partiu de uma grande brincadeira de gente grande, cheia de formas geométricas como o quadrado, o círculo e o triângulo e as cores vibrantes, como o amarelo, o pink, o vermelho, o azul cobalto e o roxo.
A construção das peças era feita através de pedaços de tecidos como tafetá e organza, tanto lisos quanto estampados, cheios de bordados de cristais e costuras nervuradas nos formatos geométricos.
Como resultado dessa junção de inspirações, vestidos tridimensionais, nos quais se viam claramente triângulos, círculos e quadrados arrematados por cristais e nervuras, tudo isso com muita cor, num patchwork de extrema beleza. Mais o arranjo de cabeça lúdico, que misturava elementos da geometria com brinquedinhos de criança. Os óculos pareciam um aro de bicicleta. As meninas tinham cores como turquesa, verde e amarelo nos lábios. Meia-calça de listras com cores primarias (amarelo, azul, vermelho). Junto com as sandálias retrô futuristas coloridas.
Para o masculino, o estilista apostou em camisa, blusa e calça reta com as mesmas influências da moda feminina, só que ao invés de meia-calça, o estilista propôs a sobreposição de mangas listradas sob as camisas.
Uma coleção difícil de explicar através de palavras, é preciso ver para sentir a forca de cada look. Enfim, um verdadeiro show que agradou a todos que viram um desfile com muita personalidade, sem medo de ousar e mostrar uma nova proposta de moda.
Por Sandra Bittencourt, editora de moda da revista Marie Claire
Veja os acessórios que fizeram a cabeça das mulheres no último dia de desfiles na Bienal.
Na ordem: Graziela Brochim, Josiane Alves, Camila Leite, Juliana Ferreira e Andressa Simonini.
Por Camila Salviano, da revista Marie Claire

A jovem marca carioca Reserva, de Roni Meisler e Fernando Sigal, que estreou no Fashion Rio (com estrondo) há apenas quatro coleções, merece ter “crescido” a ponto de chegar na São Paulo Fashion Week. Donos de uma moda sem “filtro” (eles fazem roupa para homens que gostam de moda, que não gostam de moda, heteros ou homossexuais, praianos ou urbanos), eles não têm medo de trazer novas (e boas) propostas à moda masculina. Desta vez não foi diferente.
Inspirados no conceito de um dândi brasileiro (com sobrenome “da Silva” e tudo), Roni e Fernando mostraram uma coleção alegre, com muito pink, amarelo neon e azul claro aliados ora a marrom (no começo do desfile), ora a cinza (já no final, mais sóbrio). Os cabelos desgrenhados com dreads ajudaram a dar um ar despretensioso às roupas.
Reinaram o saruel-johdpur (calça com cavalo baixo e perna afunilada) - o melhor look da coleção, aliás, era um terno xadrez com calça nessa modelagem - e a alfaiataria, precisa, em calças, bermudas e camisas. O cache coeur (malha transposta, tipicamente feminina), quase uma marca registrada da Reserva, também apareceu em alguns looks, assim como o tricô, que passeou entre bermudas saruel e malhas listradas (a trama tem fios de aço inox, que fazem com que o tecido tenha “memória” e se modele ao corpo).
Outra proposta boa foi o maxicardigan aliado a bermuda cargo neon, com sapato oxford de camurça nos pés, e o tie dye, que apareceu na medida certa, em poucos looks. A trilha rocker, começando com “Been Caught Stealing”, de Jane’s Addiction e terminando com “Rocks”, do Primal Scream, também ajudou a tirar o ranço praiano - que já não existia. Aliás, para se firmar de vez como uma marca carioca-não-carioca, Roni já avisou que até o próximo verão, São Paulo deve ganhar loja própria.
Por Luciana Obniski, editora do site da Época São Paulo
Aprenda a fazer um dreadlock falso no backstage do desfile da Huis Clos
São 7 dias ininterruptos. Ao todo, 49 desfiles. Centenas de looks diferentes. Será que dá para eleger um só modelito favorito, aquele que dá vontade de roubar da modelo ainda na passarela? Fizemos essa pergunta a alguns profissionais da moda. Confira seus preferidos.
Por Camila Salviano e Cristiane Senna, da revista Marie Claire

Flores brancas nos cabelos, flores brancas no pescoço, cabelos ao vento e pés descalços – a Vide Bula trouxe os anos 70 para a passarela. Os vestidos feitos de grandes babados, mais o tie-dye marrom e alguns babadinhos nas barras e mangas davam continuidade a história, com uma vibração folk. Cortando a onda, vestidos-camiseta de malha fininha (que pareciam camisolas) e aplicações de renda nos decotes nos faziam pensar que a marca talvez queira apostar em uma linha de roupa de baixo ou de sleepwear. Os meninos tinham calças fofas de modelagem rente ao corpo, mas com o gancho mais baixo, usadas dobradas no comprimento pescador. Uma moda simples e básica que dá continuidade ao que a marca tem feito, mas deixa a desejar para quem, como eu, viveu a época de glória da Vide Bula nos anos 80-90, quando a marca mineira era referência de moda no Brasil.
Por Denise Dahdah, editora de moda da revista QUEM

A grife jovem de Gloria Coelho, que até a coleção passada era chefiada por Rodolfo Murilo de Souza e agora conta com Marília Biasi, Juliana Pazutti e Camila Bertolote, se usou de diversas inspirações para chegar a sua coleção de verão. Diversas mesmo. Além de serem muitas (no release, pelo menos), as influências (Audrey Hepburn, aristocracia sintética e pop art, para citar algumas) dificilmente conseguiriam ser costuradas em uma coleção coesa, o que acabou prejudicando a marca.
Em um primeiro momento, vimos hotpants com regatas, algumas delas em neoprene, que lembram as criações de Gloria Coelho e Carla Fincato (a melhor estilista que já passou pela grife e que assina, agora, a coleção da Fit e parte da coleção da Ellus) há cinco anos atrás, seguidos de combinações de shortinhos com camisas (o melhor do desfile) e vestidos curtíssimos, rodados, sem nenhuma grande novidade. No final, looks com formas e tecido que lembravam plástico-bolha fecharam a apresentação.
O cabelo era bem liso, solto, com aspecto molhado perto da raiz. A maquiagem era uma não-maquiagem. Pele saudável e brilhante e lábios levemente rosados.
Por Luciana Obniski, editora do site da revista Época São Paulo

Foi de uma caixinha de música antiga que saiu a inspiração pra coleção de verão 2009 da Priscila Darolt (que também comanda o estilo da grife Animale). A estilista fez roupas pra bailarinas modernas, que sabem como ninguém incluir no look elementos antiguinhos sem ficar com cara de retrô, mas que alcançam um ar moderninho que é um dos mais espertos da temporada. As meninas de Priscila Darolt são doces, mas nada bobinhas - são decididas, ousam nas modelagens e arriscam incluir na roupa elementos super pesados que, no fim, têm aparência leve e inteligente.
As primeiras modelos desfilaram sainhas curtas e bem amplas, como tutus contemporâneos, usadas com camisetas em seda e paletozinhos estruturados - esses paletós são cheios de estudos de alfaiataria, com pences e dobraduras nas lapelas que formam volumes e formas incríveis. As saias rodadas vão perdendo volume look a look, até aparecerem sequinhas, só com volumes localizados (ainda super legais). E daí as sainhas dão lugar a shortinhos, e em seguida se esticam pra virar calças com a modelagem skinny mais interessante do mundo: o quadril tem um volume confortável, criado por pregas volumosas que dão aparência de mega confortável. A estrada de minimalismo da estilista terminava numa seqüência de vestidos sequíssimos, com os trabalhos de estampas e bordados expostos como em telas, em comprimento longuete e sem mangas.
Tecidos molinhos e mais estruturados se misturam em todos os looks. As sedas, listradinhas e bordadas em forma de laços e camafeus - elementos que Priscila resgatou da sua caixinha de música, né? -. eram coordenadas com um algodão mais durinho e acetinado (com um leve brilho). E a estrutura era construída com correntes de bicicleta (!!!), costuradas ao tecido em seqüência ou isolados como debruns - que de longe pareciam listras! Tudo em bege, azul claro, vinho, ocre e marrom, uma cartela super chique e bem descolada ao mesmo tempo.
Os sapatos-sandália, com tiras espessas cobrindo quase todo o pé, são super versáteis porque ficam fresquinhos no calor e podem ser usados com meias opacas no frião. A gente quer começar já uma campanha pela produção e pela comercialização (farta!) dessas pecinhas, que pra gente já são clássicos instantâneos.
Por Cristina Zanetti e Fernada Resende do blog da Oficina de Estilo

Cenário japonês, modelos brasileiras e música em inglês. Érika Ikezili se inspira nos descendentes dos primeiros imigrantes japoneses no Brasil e nas suas misturas com outros povos. Minutos antes do desfile começar, um grupo de Taiko (aqueles tambores japoneses imensos) anuncia a entrada das modelos na parte de fora do Pavilhão Japonês no Parque do Ibirapuera. A bonequinha maluca que Érika costuma trazer para a passarela desta vez está mais comedida: ela ainda tem volumes, recortes e mil cores na roupa, mas agora todos estes elementos aparecem mais pensados, com menos exagero e mais harmonia. Vestidinhos curtos (as vezes só na parte da frente) eram usados com calcinhas que lembravam uma sunga de sumô por baixo e rasteirinhas (desenvolvidas pela marca La Chica Chic) delicadas nos pés – tudo super fofo, usável e com personalidade. Na cintura, cintos grossos de couro colorido, sempre. O ponto alto foram as peças com estampa de flores meio orientais meio com cara de antigas, que tomaram conta de vestidos, camisas, spencers e saias de prega.

Em desfile da Colcci, só não sai frustrado quem já entra esperando apenas duas coisas: assistir à Gisele Bündchen desfilando (eu ainda acho ela um acontecimento e acho que La Bündchen tem um brilho que nem uma outra modelo tem) e ver uma coleção correta, comercial e fácil. Quase um desfile de showroom.Eu, Poliana que sou, prefiro já entrar na Colcci esperando isso (e só isso) e sair achando que algumas coisas funcionam. As sandálias de estilo gladiador com saltos altíssimos e grossos de madeira eram ótimas. Quem ainda está apaixonada por skinny deve encontrar boas opções nas araras das lojas e pode até inovar com alguns dos macacões, de proporção correta (muitos de cintura alta).
Mas a Colcci apresentou, no fim das contas, duas silhuetas. Vestidos curtíssimos e shorts, macacões ou calças cintura alta e com boca aberta mesclados com tops, como no primeiro look de Gisele. A coleção era toda clara, com muito branco, lilás e verde floresta. As pantalonas, porém, eram muito justas e alguns dos tops, muito curtos (eu não quero acreditar que vai ter gente que vai colocar a barriga de fora. Justo agora que quase todo mundo já entendeu que não pode).
A segunda parte do desfile foi toda pautada pelo tie-dye. Desde calças boca-de-sino, como a usada por Gisele em sua segunda entrada, até vestidos godê feitos de algodão, laise ou seda, todos ganharam tratamento tie-dye azul, vermelho, verde ou lilás.
A coleção masculina também era bem correta e com peças boas. Além das já habituais bermudas cargo, os macacões e os tênis eram bonitos. E deu para perceber que boa parte das camisetas deve vir em gaze de algodão, mais fininhas e frescas, portanto, e com estampas de penas e passarinhos. Uma ótima saída para aquele bando de frases e aglomerados de desenhos, que já estavam cansando um pouco…
No balanço final (e com Gisele ajudando muito), a Colcci encerra sua primeira aparição no São Paulo Fashion Week no positivo. Roupas fáceis, usáveis em um desfile despretensioso. Pra quem tem como sua maior preocupação os caixas das lojas, está ótimo.
Por Luciana Obniski, da revista Época São Paulo

Segundo o estilista Samuel Cirnansck, a sua coleção de verão 2009 foi inspirada nos jardins franceses do século XVIII e no perfume histórico do movimento rococó, no qual a beleza estava em decorar tudo de forma excessiva.
A silhueta de quase todos os looks era ajustada no busto e na cintura e com a saia muito volumosa. O bege e o off-white, pontuados com estampas de onça, tecidos de tapeçaria e tecidos adamascados foram a base para toda a coleção. E já que o exagero era o tema do desfile, nada melhor do que vestidos curtos e longos com o corpete muito justo e decotado, com a saia de faixas largas de cetim dobradas e costuradas para criar volumes e texturas. Os bordados de cristais e pérolas, uma característica do estilista, apareceu na maioria das peças de tule e de renda. E, para o grande final, um vestido de noiva (outra característica da marca) incrivelmente rico em bordados, volumes e texturas: misturava tafetá, renda e adamascado de onça, tudo na mesma peca.
Um desfile teatral desde o cenário (que simulava um jardim francês), até a beleza das meninas, que remetia a da rainha Maria Antonieta no filme de mesmo nome da diretora Sofia Copola.
Como sempre, Samuel elegeu uma musa inspiradora; Para essa coleção a princesa Paola de Orleans e Bragança foi a escolhida, pois, entre tantos elementos, não podia faltar uma modelo de sangue real na passarela.
Por Sandra Bittencourt, editora de moda da revista Marie Claire

Em um clima bem diferente dos seus outros desfiles, Simone Nunes apresentou sua coleção de verão 2009. Acostumados a ver uma abundância de tecidos, em peças que chamavam a atenção sozinhas ou combinadas com outras mais incríveis ainda, os fãs da marca ficaram um pouco surpresos ao verem a nova direção que a estilista resolveu dar a marca. Os looks eram feitos de peças lisas, ou de, no máximo, duas cores. Os únicos detalhes eram aplicações de elementos da botânica (como borboletas e legumes), nas barras das peças. Os vestidos eram a peça da vez, e apareceram larguinhos e também justos, bem sensuais, mas sempre de corte simples. As calças eram cigarrete (usadas com blusas folgadas) ou pantalonas super largas de cintura alta vestidas com top tomara-que-caia que parecia maiô. Os looks pretos vieram combinados com cintos feitos de corda, ora pretos com dourado, ora de uma cor só, como a goiaba. As cordas também formaram a flor nas tiaras que adornavam as cabeças das modelos. Nas mãos, carteiras pequenas e chiques. O destaque vai para as sandálias de salto alto confeccionadas pela Datelli, muito elegantes, que tinham flores vazadas no peito do pé e fechavam no tornozelo.